Sempre dizem das fisioterapeutas que são muito bonitas. Isso me animou a levantar cedo hoje.
Penso, no entanto, que isso é bobagem. Discurso meio que machista, até. Pensam que é casa de massagem.
Mulher bonita tem na feira, nos supermercados, nos bancos, nas lojas, nos hospitais, nos pontos de ônibus.
Só na universidade é que não tem. Mentira.
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Eu já havia feito fisioterapia uma vez, quando torci o tornozelo em 2004.
Mas é - deve ser - sempre diferente. A começar pelo lugar. Aqui é pequeno, uma clínica particular na zona norte. Pertinho da minha casa.
Há bastante pessoas idosas na recepção aguardando. Não bastasse o castigo do tempo, ainda encaminham elas para cá - pra tortura.
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Chamaram-me antes da hora. Estava preparado para um atraso de uns 15 minutos, como tudo em São Paulo.
Pois vamos, então, que para isso foi que viemos.
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Comecei a fisioterapia. Não doeu nada, mas fiquei numa posição incômoda. A gente fica pouco à vontade nestes lugares.
Uma senhora que estava ao meu lado entremeou a entrevista que a fisioterapeuta fazia comigo. Pôs-se a falar de tragédias; depois, de si mesma.
A senhora contava com satisfação das meias e cuecas de seus quatro filhos, e de como ela as identifica, e as guarda, que são todas iguais.
Logo acabou a sessão. Faço apenas dois exercícios, os quais ainda não sei o nome.
Gostei de papear com a dona. Adoro conversar com os mais velhos. Sinto muita falta, que meus avós já se foram. (Resta-me o avô paterno, mas não nos falamos.)
Acho que amanhã vou trazer algo pra ler. É rápido, mas eu detesto ficar parado olhando pros lados, à toa. Nem sempre dá pra conversar, que as pessoas vão e vem.
É que eu também vi uma moça - a única paciente jovem além de mim - lendo. Talvez isso tenha me instigado. (Quem sabe, até, por inveja.)
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A fisioterapeuta é gatinha e simpática.
Deu muita atenção às minhas narrativas, e riu das minhas piadas. Parece ser ótima profissional.
Excelente começo, my old buddies.