Extremamente pessoal, despretensioso, insignificante.
Seu nome é bobo, não merece especulação ou palavras que o justifiquem.
A vida deste blogue é minha doença; seu conteúdo, minha vingança - ou, talvez, parte da terapia.


30 de set. de 2009

Dia anterior (30/09/09)

Daqui a cinco dias, completo um mês afastado do cotidiano.

Alguns brincam: "férias extendidas!", "esquenta pra semana do saco cheio", "carnaval fora de época".

Alguns advertem: "quem mandou?", "você ainda mata a sua mãe!", "cria juízo...", "que te sirva de lição!".

A verdade é que fui destacado do mundo que cultivo. E toda separação abrupta é muito dolorosa.

O que mais tem me incomodado é a impotência.

Dependo dos outros para quase tudo - e por causa de um problema que arrumei sozinho.

Não me culpo, mas me aborreço. Somos vencidos facilmente, e cada fração de segundo de nossa fraqueza é simplesmente irreversível.

Por quase um mês, minha casa tem sido apenas a sala. Já consigo ir ao banheiro sozinho, e isso merece champagne.

Talvez no final de semana eu volte para o meu quarto, que essa sala é muito fria, grande demais para dormir sozinho.

Quero muito voltar a andar normalmente - desfrutar de uma simples articulação.


* * *


Falam que é nessas horas que se reconhecem os verdadeiros amigos.

O que me deixa mais feliz é que eu já os reconhecera bem antes de tudo, e apenas os reencontrei neste momento de precisão.

Somente o carinho que recebo a cada visita, mensagem ou telefonema é capaz de aplacar minha angústia.

Das dores, vão cuidando os analgésicos.


* * *


Amanhã acordo cedo, que começa a fisioterapia.

Prólogo, ou Pobre Poética

A minha considerável inépcia tecnológica é um óbice. Para tudo.

Tenho pavor de vocábulos como 'configurações', 'setup', 'backup'.

Gosto só de 'download', 'login', 'enter', 'ok'.

Vivo precisando de ajuda, mas jamais clico nesta opção. Significa sucumbir ao desespero. Além disso, sempre dá errado.

Não sei gravar um CD, por exemplo, e nem mesmo sei criar um blogue.

Por isso, esse blogue será como um caderno. Um singelo abrigo para vagabundas reflexões. Um estofo para arroubos de expressão (dita) literária.

Procurarei me concentrar no relato de minhas experiências durante a fisioterapia.

Há vinte sessões programadas, com possibilidade de prolongamento. É certo que pretendo escrever uma vez por dia, atendo-me exclusivamente aos eventos que se deram durante a terapia.

Alguns textos - senão todo o caderno - serão menos agradáveis, vulneráveis que estão aos estados de humor, à concentração no escrever, às derrotas que sofrerei perante o espaço em branco.

Escrever é uma luta por sobrevivência, e nem sempre permite o prazer ao texto.

Terminado o tratamento, fecho este caderno. Evidentemente, permanecerá aberto - a quem interessar possa.

O Porquê

No meio do caminho tinha um ônibus.

Tinha um ônibus no meio do caminho.

E eu dormia. Acho que dormia.