Levei de novo o livro do Alfredo Bosi para ler na clínica.
Cheguei cedo demais, antes de abrir. Detesto quando isso acontece.
Atrasar é normal - é pra todo mundo. Mas se antecipar? Não, ninguém merece perdão por isso.
Enquanto aguardava, bati papo com um distinto senhor que estava em tratamento.
Falamos principalmente sobre automóveis.
Surpreendi-me quando ele quis saber da faculdade. Elogiou-me por estudar Letras, e isso jamais acontece.
Hoje o Antonio Candido não vem - certeza. O velho gosta de acordar tarde aos sábados.
* * *
A gatinha simpática também não veio.
A fisioterapeuta do sábado é curiosa. Risonha, meio calada, estabanada e feia. Derrubou minhas muletas três vezes. Esqueceu-se do gelo.
Senti menos constrangimento de ler perante ela do que quando me atende a outra. A gente tem umas coisas...
Pensei em puxar conversa, mas tive preguiça. Acabou não precisando.
Ao meu lado, um senhor exercitava-se. Estava lá por conta do joelho também.
Acusou seus médicos de imprecisão. "Fui em três doutores de clubes de futebol: Ponte Preta, São Paulo e Portuguesa! Os três disseram a mesma coisa".
Acho que não disseram o que ele queria ouvir - coisa que fez um quarto médico, o qual (concordei) "está com a razão": deveriam ter operado os dois joelhos!
* * *
Hoje foi tudo bem rápido, que tinha pouca gente. Mal deu pra ler.
Faz mal não.