O feriado prolongado significou um intervalo de três dias no tratamento, que vem demonstrando dia a dia grandes efeitos positivos.
Achei que seria difícil levantar-me hoje, acomodado que estava à liberdade de dormir quando quisesse e acordar quando pudesse.
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Hoje tudo aconteceu de forma veloz. Não havia trânsito quando saímos. Mal acomodei-me numa das poltronas da recepção, fui convocado à terapia pela Leila.
Fui levado à mesma maca em que ficara naquele sábado já distante, no terceiro dia. A Leila, não entendi o porquê, se dispôs do lado oposto à minha perna doente. Pode parecer implicância à toa, mas havia condições de operar à direita do leito. Do jeito que ela fez, senti um desconforto tremendo na perda esquerda, disfuncionalmente entreposta - um muro separando fisioterapeuta e joelho.
Em vez de um livro, trouxe comigo um caderno do jornal de domingo, que a gente nunca dá conta de ler num dia só. Após reparar que as leituras não engrenam naquela clínica, as publicações periódicas e os livros de contos serão minhas opções. Nada de romance ou crítica, que não funciona.
Não bastasse a distância imposta por minha fatal perna esquerda, o silêncio que eu mantive até então perante Leila ameaçava se confirmar. Decidi, no entanto, inaugurar um assunto. Perguntei do fim de semana, do descanso do dia santo. Ela se apegou firmemente à conversa. Falou de si, quis saber de mim. Acabou dizendo, num dia, muito mais que dissera Marina desde o dia em que nos vimos pela primeira vez.
Surpreendo-me com as mudanças de comportamento por parte das mulheres toda vez que demonstro algum interesse por elas - ao perguntar de sua vida, ao ouvir o que elas têm a dizer. Por mais singulares que sejam as reações, naturalmente conformes à diversidade de mulheres pelas quais venhamos a nos interessar, elas estão unidas pela notável extensão dos discursos.
Leila versou, conversou, tergiversou. Eu, introvertido, quis saber só de escutar. Falei o mínimo. Demonstrar interesse não é o mesmo que se interessar. Tudo não foi mais que um artifício para poupar-nos, Leila e eu, do silêncio. Sequer mencionarei qualquer coisa do que ela disse, que não importa. Marina me importa, com ela é que me preocupo. Mas só nos vimos de passagem.
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Há dias em que as coisas correm com mais velocidade. Assim foi. Esperando pelo táxi, só pude reparar na camisa branca que Ana usava atrás do balcão. Sóbria, simples e nem por isso menos erótica. Pensei em dizer: "Ana, você está uma delícia nesta camisa". Sorri. Jamais diria algo assim, ali, para a bela e loura senhôura.
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O taxista de hoje era bastante atencioso e de modos corteses. Recebeu-nos fora do carro, abriu-nos as portas do veículo e também desceria para prestar-nos tal gentileza no desembarque. Bastante sofisticado no falar. Eu pouco quis intervir, no entanto, já que minha mãe decidira de antemão reservar os diálogos da ida e da volta para aplicar-me lições de moral.