Depois de milhares de alertas enérgicos sobre a necessidade de levantar e ir tomar banho "agora!", acabei consentindo. Importa é que lutei.
Hora de ir para a fisioterapia. Hoje, vou com 'Roberto Schwarz' e, claro, com a minha vizinha - uma cantora havaiana - que sempre me leva lá.
É mentira, a minha vizinha não é cantora. Nem havaiana. Trabalha na prefeitura, e é um paradigma de solidariedade.
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A moça brava nem parece mais tão brava. Na verdade, desconfio que ela seja bem sisuda com os homens - enquanto homens. Como sou apenas um paciente, fico de fora dessa.
Só ontem que eu fui me ligar que a primavera começou. O 'descontrole glandular da natureza' de que fala LF Veríssimo.
Repelente não adianta porra nenhuma contra siriri, e isso eu descobri da pior maneira possível. Vieram todos para um congresso em meu quarto. Não bastasse ter sido tão quente o dia.
Falei pra ela - pra fisioterapeuta - que não gosto do calor. E começamos a falar sobre o tempo. Sim, é uma merda de assunto. Mas ela estava animada, e correspondeu de maneira admirável. Vai substituir bem a gatinha simpática caso esta não retorne - que hoje ela não foi. É uma boa substituta, sobretudo por também ser gatinha e simpática.
Hoje me senti muito bem durante o tratamento. Estive lendo "Ao vencedor as batatas", do Schwarz. Excelente leitura, ainda que sua prosa seja um pouco tortuosa de vez em quando. (Eu cogitei levar a revista piauí pra ler em vez do Schwarz. Mas ia ser uma merda carregar aquilo com as muletas.)
A eletroterapia, nesta manhã, aproximou-se da sublimação. Foi como um beijo de namorada, aquele que a gente percebe que encaixa perfeitamente.